Após assistir o filme "A Datilógrafa" (imagem acima) - deliciosa comédia romântica dirigida por Regis Rinsard e protagonizado por Déborah François e Romain Duris - pensei em comentar algo sobre os cursos de datilografia, obrigatórios há algumas décadas. Aliás, para um emprego em escritório era requisito necessário.
Depois da postagem do José Márcio Sousa, de hoje, me decidi.
Quando tinha quinze anos, como as garotas de minha época, fiz um curso de datilografia. No Senac. Atravessava a cidade para cursá-lo, duas vezes por semana (o curso era ministrado no estabelecimento da Avenida Tiradentes, em São Paulo). A opção pelo Senac foi natural: minha mãe também fez o mesmo curso, na mesma instituição de ensino. Excelente!
Para quem não sabe, um bom datilógrafo consegue escrever a uma velocidade impressionante (média de cem palavras por minuto). Bem, isso não se consegue sem tenacidade.
No início do curso, que não separava os mais adiantados dos recém-chegados, uma sensação de incapacidade me invadiu, pois enquanto eu dedilhava, sem força nos mindinhos, o a-s-d-f-g, ç-l-k-j-h, o colega ao lado desfiava todo o abecedário, em segundos.
Portanto, a primeira etapa a ser vencida não foi a teimosia dos dedos e o associar o nome às teclas, mas ignorar o rapidinho e me concentrar na minha máquina.
Havia um detalhe importante: as teclas eram cobertas com uma borracha, que não permitia ao aluno saber a posição das letras no teclado. Um imenso painel reproduzindo as teclas, na parede à frente, dirigia nossos olhares, para a ordenação dos dedos.
A-s-d-f-g, ç-l-k-j-h. Uma folha inteira. Outra. Mais uma.
Vencida a primeira etapa, asa, adaga, ja, aga, asada. Depois a linha superior: q-w-e-r-t, p-o-i-u-y, e estávamos, depois de folhas e folhas preenchidas, prontos para novas palavras. O processo levava dias, pois a função do curso era a de interiorizar o conceito, tornar a prática uma coisa automática.
Depois do curso básico, o de velocidade: digitar textos na maior velocidade possível, sem se preocupar com os erros. Aos poucos, eles diminuiriam. O objetivo? Claro, alcançar velocidade na digitação. Funciona.
Deu tão certo que digito, até hoje, sem olhar o teclado, com grande precisão e velocidade. Isso é natural, pois mesmo que um datilógrafo fique muito tempo sem digitar, ao se sentar à frente de um teclado automaticamente produzirá qualquer texto, com rapidez.
Depois da máquinas elétricas, que com a fita corretiva "perdoaram" o errar, surgiu o computador e a arte de datilografar ficou em segundo plano. Hoje a maioria "cata milho" e perde tempo - muito tempo - para se comunicar, diante de um computador. As funções do computador passaram a ser mais importantes do que as do teclado.
Por falar em teclado, sabe para o que servem os sinaizinhos em relevo na teclas "efe" e "jota"? Sinta-os.
Um computador possui o teclado exatamente igual ao das máquinas de escrever. A intenção do fabricante, ao colocar os sinais, é a de indicar, para aqueles que escrevem com todos os dedos (os datilógrafos), a posição das teclas.
Por melhor que você seja, digitando, se "perder a mão" (posicionar uma das mãos de forma errada), perde o texto.
Pois bem: as mãos devem repousar no teclado: a mão esquerda, à esquerda, com o indicador pousado no "efe"; a mão direita, à direita, com o indicador no "j". Quando se escreve, não se "pensa" nas teclas. Simplesmente se escreve. Assim, com as mãos posicionadas, é possível escrever olhando para trás, para o lado, para qualquer lugar. Sem exagero.
Por consequência, se uma pessoa com deficiência visual se sentar à frente de um computador ou máquina de escrever não terá dificuldades para digitar um texto, pois com o tato identificará o teclado.
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Maria da
Glória Perez Delgado Sanches
Membro Correspondente da ACLAC –
Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo, RJ.